Giestoso – 12 Cumes 12 Meses

Castro Laboreiro e a Serra do Laboreiro, é provavelmente um dos sítios menos conhecidos do Parque Nacional Peneda Gerês. É um daqueles sítios, onde sentimos como que um abrandar do tempo. Um lugar, onde a ruralidade serrana está muito marcada em tudo o que vemos, fruto de um isolamento quase secular, que esta região minhota, ainda hoje experiencia. Este é um sítio de uma beleza ímpar, onde a frieza áspera e escultural dos penedos graníticos, se misturam com um planalto de urzes, tojos e carquejas, criando um cenário quase dramático…

Eram 9:00 quando partimos à conquista de mais um cume e à descoberta de uma nova serra.

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Apesar da promessa de mais um belo dia de final de verão, a manhã estava gélida e o vento que soprava da montanha parecia já anunciar a chegada do Outono. Saímos de Castro em direção ao Castelo de Castro, situado no alto de uma pequena mas bastante escarpada elevação rochosa.

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Seguimos por um trilho empedrado, que contornava esta elevação, para depois, na sua face Sul, começar a subir vertiginosamente ziguezagueando toda a encosta. No final da subida, mesmo à nossa frente, podemos apreciar as imponentes formações rochosas desta região.

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O trilho levou-nos para dentro do castelo, e para o topo das suas muralhas. No centro do mesmo existe um marco geodésico (alto de Castro) onde temos uma fantástica panorâmica sobre todo este local.

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Vemos a serra da Peneda e Soajo, a serra Amarela e o alto da Louriça, e vemos também a Serra do Laboreiro e por entre as elevações do seu planalto, tentamos adivinhar onde ficará o Giestoso. Deixamos o castelo para trás e seguimos por um fantástico trilho que nos leva de novo até ao centro da Castro.

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Aproveitamos para atravessar a ponte romana e deixamos a aldeia para trás. Seguimos pela estrada, seguindo as marcações do PR – Trilho Castrejo, em direção à Varziela, perto da aldeia deixamos a estrada e seguimos por um trilho que nos levou montanha acima até à aldeia de Campelo.

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A vegetação era densa e por diversas vezes, fomos literalmente engolidos pela vegetação. Pouca gente deve trilhar estes caminhos e a natureza reclama sempre para si o que outrora lhe pertenceu…

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Após algumas passagens mais fechadas, atingimos por fim o planalto de Castro, quase a 1200m. Um cenário muito bonito, com uma vegetação exuberante de urze, tojos e carqueja.

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Avistamos o alto da Fecha e seguimos na sua direção, subimos uma pequena encosta, para depois seguirmos junto de um pequeno muro. Um pouco mais à frente demos de caras com uma cerca de arame farpado, por pouco não a víamos!

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É surreal como numa zona tão inóspita , e, porque não dizê-lo, tão bem preservada, encontramos “surpresas” destas. Atravessamos a cerca com cuidado e pouco depois chegamos ao marco geodésico do Alto da Fecha. Tiramos uma fotografia de grupo, estava um dia de visibilidade perfeita, apenas umas quantas nuvens altas, mas o vento continuava a não permitir grandes paragens.

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Seguimos pela vegetação, sem trilho definidos. Baixamos até um pequeno estradão que seguimos novamente montanha acima em direção ao alto da Preguiça. Apercebemo-nos neste momento, dos magníficos vales que existem no planalto.

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Continuávamos sem trilho, escolhendo a cada passo e a cada momento a melhor via para a nossa progressão. A dada altura essa direcção acabou por ser pautada pela necessidade de nos afastarmos de uma manada de vaca onde dois touros começavam a fitarmos de forma ameaçadora!

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Alcançámos o alto da Preguiça e avistamos finalmente o marco geodésico do Giestoso.

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Apenas uma encosta nos separava do nosso objectivo. Continuávamos sem qualquer trilho definido, aqui a vegetação era um pouco mais alta e a nossa progressão acabou por ser um pouco mais lenta.

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À medida que subiamos, íamos dando conta do sítio onde estavamos e do que conseguíamos alcançar nesta local! De onde estávamos conseguíamos avistar todas as serras do Parque Nacional Peneda Gerês, toda essa imensidão, estava ali espelhada de uma forma sublime mesmo à nossa frente!

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A chegada ao Giestoso, foi como que a entrada para um miradouro! Ali tudo estava visível e ao nosso alcance.

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O planalto da Peneda e o Outeiro Alvo, o alto da Peneda, a Pedrada, o Guidão! Mais a sul a Louriça imponente no alto da Serra Amarela e uma visão única da serra do Gerês e de todos os seus cumes!

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Era como uma muralha, mesmo à nossa frente. Na continuação da Serra do Gerês avistamos a Serra do Larouco, mas não se ficava por aí! Bem lá no fundo, avistamos o parque eólico da serra de Montesinho.

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A chegada a um cume é sempre especial, mas este ficará para sempre marcada na memória, pois só aqui consegui ter um alcance visual deste calibre. Geralmente quando subimos ao ponto mais alto, temos uma visão privilegiada sobre a montanha em que nos encontramos e conseguimos ver um pouco das que se encontram à volta! Aqui temos exactamente o oposto. O Giestoso é sem duvida o melhor local para observação de todo o Parque Nacional,  num dia de boas condições de visibilidade. Foi um verdadeiro clímax a chegada a esta elevação!

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A partir daqui pouco mais havia para ver, começamos a descer o planalto em direção à branda de Portos.

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Continuávamos sem trilho definido e as nossas pernas já não estavam a gostar muito da brincadeira.

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Foi por isso um motivo de grande alegria quando finalmente voltamos a um caminho empedrado e a um trilho bem definido, mas mesmo aí tivemos, mais uma vez, a “surpresa” de encontrar uma nova cerca de arame farpado.

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Na branda de Portos, encontramos uma aldeia praticamente fantasma. Apenas encontramos uma senhora, com quem trocamos algumas palavras e que nos confidenciou que a branda estava praticamente deserta, a maioria há muito partira em direcção às cidades e ao estrangeiro. Continuamos a seguir o trilho e após atravessar, novamente zonas de densa vegetação, alcançamos a aldeia de Eiras, onde podemos finalmente abastecer de água!

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Faltava já pouco para o regresso ao ponto de partida. Voltamos à companhia do PR9 – trilho castrejo, que nos levou até a ponte de Varziela e daí até à estrada que inicialmente havíamos seguido. Sem darmos bem conta disso, estávamos de regresso ao Centro de Castro Laboreiro. Mais uma aventura, mais uma serra explorada, mais um cume, mais uma jornada de partilha, mais um amigo a participar nestas aventuras. É fabuloso viver a Montanha desta maneira! Venham os próximos cumes!

Track GPS Wikiloc

Registo fotográfico Flickr

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One thought on “Giestoso – 12 Cumes 12 Meses

  1. Hélder Pinto

    Belas fotos, vistas lindíssimas e mais um relato a dar vontade de seguir as vossas pisadas! Seguir pelo mato cerrado é mesmo o pão-nosso de cada dia dos exploradores destas nossas montanhas, cada vez mais entregues a si próprias! Obrigado pela partilha, Diogo!

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