Cume da Peneda – 12 Cumes 12 Meses

O Cume da Peneda no alto dos seus 1374m esteve para não ser incluído no projecto dos 12 Cumes 12 Meses. Por uma razão muito simples. Geografia! Nas minhas primeiras pesquisas, alguns dados errados e a minha própria noção da zona, levava-ma a querer que a Alto da Peneda, dada a sua localização, pertencia a Serra do Soajo e não à Serra da Peneda.

Quem leu o texto sobre o Cume da Pedrada apercebeu-se certamente que nesse dia tínhamos como objectivo chegar à Peneda pois achava que fazia parte do Soajo. Felizmente o alerta de alguns amigos e uma pesquisa mais aprofundada alertou-me para este erro.

Faltava agora definir um percurso que fizesse sentido para mim. Uma coisa era certa, tinha de começar no Santuário da Peneda e queria que este fosse um percurso mais corrível! Dada a distância do Santuário até ao Alto da Peneda não foi fácil ajustar um percurso com as caracterizaras que pretendia, sobretudo ao nível da distância. Mas quando se tem como base trilhos fabulosos como o da Grande Rota da Peneda Soajo e o Trilho dos Romeiros da Peneda o resultado ia ser sempre muito bom.

A nossa aventura começou no Santuário da Peneda. Estava um frio cortante, a temperatura marcava 2 graus e o sol não tinha ainda chegada a este lado da Peneda.

IMG_2553Tiramos a fotografia da praxe, cumprimentamos um grupo de Caminheiros Espanhóis que também se preparavam para sair para a montanha e partimos a trote pelas escadarias do Santuário a cima. O plano era seguir nesta fase pelo Trilho da Grande Rota da Peneda Soajo. Para quem não conhece, nas traseiras na Igreja existe uma calçada que sobe serpenteando pela encosta até ao planalto da Peneda. Foi por aí que subimos. Já perdi a conta, à quantidade de vezes que percorri esta calçada, mas a grande maioria das vezes faço-a a descer. Senão estou em erro, esta foi apenas a segunda vez que a subi. Durante a subida estávamos abrigados do vento, pelo que não tardou muito para já estávamos a suar e a tirar as camadas de roupa que levávamos.

IMG_2560Com a subida, íamos tendo uma melhor imagem deste local. A paisagem da Peneda é um banquete para os olhos e para os sentidos. Neste local fico sempre com a ideia que cada rocha, cada penedo compete entre si pelo melhor local e pela melhor forma, como se nos quisessem chamar à atenção! É como que um rebuliço de formas, parecem como que gritar!

IMG_2571Há tanto para ver…IMG_2573Chegamos ao planalto e à represa da Chã do Monte. Os pontos mais altos estavam pintados de branco…

IMG_2579Continuamos a seguir as marcações da Grande Rota, em direção a Pedra Rajada. Nesta zona havia já uma quantidade significativa de neve e o vento que se fazia sentir começava a convidar à vestir o impermeável.

IMG_2598Avistamos o alto da Penameda, e a vontade de a ir subir era grande, mas o nosso objectivo era outro e o trilho leváva-nos agora a descer em direção ao Rio Pomba.

IMG_2600Descemos por uma calçada muito técnica, com algumas partes onde a vegetação se encontrava um pouco fechada. Nunca tinha feito esta parte da Grande Rota a descer, a perspectiva que temos era completamente diferente e tudo me parecia bem mais desafiante!

IMG_2607Cruzamos o Rio Pomba e entramos numa zona muito bonita, onde o verde do musgo nas pedras se misturava com o castanho das árvores e da folhagem seca que por sua vez escondiam um lamaçal imenso que me deixou por momentos completamente atolhado.

IMG_2614Subíamos agora em direção a S.Bento do Cando e nesta fase tive alguma dificuldade em reconhecer o trilho da grande rota. A erosão dos terrenos modificou por completo algumas partes do trilho e estavam bastante diferentes daquilo que me recordava.

IMG_20160305_101047S. Bento do Cando parecia uma aldeia fantasmas. Não vimos vivalma, mesmo o café estava fechado, com o frio que estava não era de espantar que estivessem todos em casa à lareira. Continuávamos a seguir pelo trilho de GR e seguíamos por um estradão em direção à Branda de Bosgalinhas. Estávamos já acima dos 1000m e toda a Branda estava sarapintada de branco, os campos tinham um manto fino de gelo a tapa-los e os telhados das casas cobertos de neve.

IMG_20160305_102634Estávamos cada vez mais próximos do nosso objectivo. O trilho e toda a vegetação estavam agora cobertos de neve e isto ia fazendo as delícias do Manuel que ainda não tinha tido a oportunidade de correr na neve.

IMG_2631Alcançamos o planalto de Lama de Vez. No nosso horizonte estão ao Alto da Pedrada à nossa esquerda e o alto da Peneda mesmo à nossa frente. No entanto um espesso manto de nuvens cobre cada um dos cumes. Apercebemo-nos que hoje será mais um dia onde não vamos ser bafejados pela sorte de ter bom tempo e boa visibilidade no ponto mais alto da nossa Rota. Perto de cruzar o rio Vez dou uma queda e os resultado disto pode ser lido aqui.

Seguimos em direção ao Cume, aqui acaba o trilho bem definido, temos de passar alguns segmentos de corta-mato, bem pequenos, mas que com a neve que cobre a vegetação são o suficiente para nos gelar as pernas. Estavamos perto do cume da Peneda, mas a visibilidade começa a ser muito reduzida e temos de selecionar muito bem por onde vamos para não termos mais segmentos de corta-mato. Subimos pela garganta do Eiró. O frio é muito mas a subida é fantástica e a perspectiva que temos cá para baixo é soberba.

IMG_2642Progredimos lentamente, o frio do mais gélido que já senti.

IMG_2649Alcançamos o cume sem ponta de visibilidade e pouco ou nada nos demoramos nele.

IMG_2653IMG_2654Temos de descer e sair dali. Seguimos pela cumeada, em direção ao Pedrinho e ao Alto da Preguiça. O nevoeiro não nos facilita a vida, temos em algumas zonas dificuldade em dar com o trilho, mas quando alcançamos o Alto da Preguiça estávamos já um pouco abaixo da zona crítica. A Branda do Furado estava à nossa frente, começamos a descer, seguíamos finalmente num trilho bem definido, estávamos de regresso ao trilho da Grande Rota.

IMG_2659Nesta zona dá-se uma mudança radical, passamos de uma zona de granito para uma zona de xisto e cascalho. É uma zona menos bonita, mais exposta e com muita vegetação invasora.

IMG_20160305_124016Seguimos até ao Restaurante o Brandeiro, aqui deixamos a Grande Rota e tomamos o Trilho dos Peregrinos e Romeiros da Peneda – Rota Sistelo em direcção à Sra da Guia e ao centro da Branda da Aveleira. Seguimos por um trilho tipo cascalheira, subimos até uma zona de bosque.

IMG_20160305_130521Os pinheiros e todo o local estão envoltos numa Bruma, que confere a este local uma aura de algum mistério.

IMG_20160305_131114Chegamos a uma estrada municipal, seguimos em direção à Bouça dos Homens. Este bocado de alcatrão foi óptimo para esticar as pernas e para finamente deixarmos o frio para trás, que nos acompanhava desde o Cume da Peneda. Deixamos a aldeia para trás, seguimos por um caminho agrícola até à estrada nacional, onde fomos encontrar uma nova calçada que nos levou novamente até ao planalto da Peneda. Nas nossas costa víamos agora o Alto da Cesta e o Alto do Corisco e deixávamos para trás este vale.

IMG_20160305_133744A chegada ao planalto foi marcada pelo começo de um nevão e pelo re-encontro com o grupo de caminheiros galegos. Eles vinham do Outeiro Alvo, trocamos palavras e cumprimentos. É sempre muito bom encontrar pessoas na montanha e nunca perco a oportunidade para nem que seja trocar algumas impressões. A vida é feita de encontros e os encontros na montanha são para mim muitos especiais.

IMG_2670Faltava pouco para o final da aventura. Começamos a descer, também aqui por uma calçada, nesta fase a neve tinha dado lugar à chuva e seguíamos com cuidado para não escorregar em nenhuma pedra. No final da calçada encontramos o caminho obstruído por uma cerca… Por momentos veio-me à memória uma passagem que tive pela serra da estrela…

Atravessamos a cerca e a partir daqui seguimos sempre pela estrada até ao Santuário, e tal como numa outra ocasião parecia que nunca mais chegávamos…

Ao chegarmos ao carro somos recebidos com olhares de espanto! Tínhamos terminado mais uma aventura, mas a corrida não tinha ainda acabado! Agora cada uma corria para ver quem era o mais rápido a mudar de roupa e a ficar seco e quente. Esperemos que a chegada da primavera traga consigo um clima mais agradável para o próximo Cume. Em Abril vamos para o interior, vamos subir até aos 1416m alguém advinha que Cume é este?

Track GPS Wikiloc

Registo Fotográfico Flickr

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2 thoughts on “Cume da Peneda – 12 Cumes 12 Meses

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