Giestoso – 12 Cumes 12 Meses

Castro Laboreiro e a Serra do Laboreiro, é provavelmente um dos sítios menos conhecidos do Parque Nacional Peneda Gerês. É um daqueles sítios, onde sentimos como que um abrandar do tempo. Um lugar, onde a ruralidade serrana está muito marcada em tudo o que vemos, fruto de um isolamento quase secular, que esta região minhota, ainda hoje experiencia. Este é um sítio de uma beleza ímpar, onde a frieza áspera e escultural dos penedos graníticos, se misturam com um planalto de urzes, tojos e carquejas, criando um cenário quase dramático…

Eram 9:00 quando partimos à conquista de mais um cume e à descoberta de uma nova serra.

DSCN5692

Apesar da promessa de mais um belo dia de final de verão, a manhã estava gélida e o vento que soprava da montanha parecia já anunciar a chegada do Outono. Saímos de Castro em direção ao Castelo de Castro, situado no alto de uma pequena mas bastante escarpada elevação rochosa.

DSCN5696

DSCN5694

Seguimos por um trilho empedrado, que contornava esta elevação, para depois, na sua face Sul, começar a subir vertiginosamente ziguezagueando toda a encosta. No final da subida, mesmo à nossa frente, podemos apreciar as imponentes formações rochosas desta região.

DSCN5700

O trilho levou-nos para dentro do castelo, e para o topo das suas muralhas. No centro do mesmo existe um marco geodésico (alto de Castro) onde temos uma fantástica panorâmica sobre todo este local.

DSCN5704

DSCN5711

DSCN5714

Vemos a serra da Peneda e Soajo, a serra Amarela e o alto da Louriça, e vemos também a Serra do Laboreiro e por entre as elevações do seu planalto, tentamos adivinhar onde ficará o Giestoso. Deixamos o castelo para trás e seguimos por um fantástico trilho que nos leva de novo até ao centro da Castro.

DSCN5717

Aproveitamos para atravessar a ponte romana e deixamos a aldeia para trás. Seguimos pela estrada, seguindo as marcações do PR – Trilho Castrejo, em direção à Varziela, perto da aldeia deixamos a estrada e seguimos por um trilho que nos levou montanha acima até à aldeia de Campelo.

DSCN5720

DSCN5730

A vegetação era densa e por diversas vezes, fomos literalmente engolidos pela vegetação. Pouca gente deve trilhar estes caminhos e a natureza reclama sempre para si o que outrora lhe pertenceu…

DSCN5733

14374746_1760064630919231_1733393230_o

Após algumas passagens mais fechadas, atingimos por fim o planalto de Castro, quase a 1200m. Um cenário muito bonito, com uma vegetação exuberante de urze, tojos e carqueja.

DSCN5739

14408085_1759825114276516_1468011798_o

Avistamos o alto da Fecha e seguimos na sua direção, subimos uma pequena encosta, para depois seguirmos junto de um pequeno muro. Um pouco mais à frente demos de caras com uma cerca de arame farpado, por pouco não a víamos!

DSCN5742

DSCN5746

É surreal como numa zona tão inóspita , e, porque não dizê-lo, tão bem preservada, encontramos “surpresas” destas. Atravessamos a cerca com cuidado e pouco depois chegamos ao marco geodésico do Alto da Fecha. Tiramos uma fotografia de grupo, estava um dia de visibilidade perfeita, apenas umas quantas nuvens altas, mas o vento continuava a não permitir grandes paragens.

DSCN5748

Seguimos pela vegetação, sem trilho definidos. Baixamos até um pequeno estradão que seguimos novamente montanha acima em direção ao alto da Preguiça. Apercebemo-nos neste momento, dos magníficos vales que existem no planalto.

DSCN5749

14375336_1759824084276619_1084901630_o

DSCN5756

Continuávamos sem trilho, escolhendo a cada passo e a cada momento a melhor via para a nossa progressão. A dada altura essa direcção acabou por ser pautada pela necessidade de nos afastarmos de uma manada de vaca onde dois touros começavam a fitarmos de forma ameaçadora!

DSCN5759

DSCN5753

Alcançámos o alto da Preguiça e avistamos finalmente o marco geodésico do Giestoso.

DSCN5755

DSCN5752

14408031_1759825137609847_1152485861_o

Apenas uma encosta nos separava do nosso objectivo. Continuávamos sem qualquer trilho definido, aqui a vegetação era um pouco mais alta e a nossa progressão acabou por ser um pouco mais lenta.

DSCN5762

À medida que subiamos, íamos dando conta do sítio onde estavamos e do que conseguíamos alcançar nesta local! De onde estávamos conseguíamos avistar todas as serras do Parque Nacional Peneda Gerês, toda essa imensidão, estava ali espelhada de uma forma sublime mesmo à nossa frente!

DSCN5764

A chegada ao Giestoso, foi como que a entrada para um miradouro! Ali tudo estava visível e ao nosso alcance.

DSCN5770

O planalto da Peneda e o Outeiro Alvo, o alto da Peneda, a Pedrada, o Guidão! Mais a sul a Louriça imponente no alto da Serra Amarela e uma visão única da serra do Gerês e de todos os seus cumes!

DSCN5771

DSCN5772

Era como uma muralha, mesmo à nossa frente. Na continuação da Serra do Gerês avistamos a Serra do Larouco, mas não se ficava por aí! Bem lá no fundo, avistamos o parque eólico da serra de Montesinho.

DSCN5773

A chegada a um cume é sempre especial, mas este ficará para sempre marcada na memória, pois só aqui consegui ter um alcance visual deste calibre. Geralmente quando subimos ao ponto mais alto, temos uma visão privilegiada sobre a montanha em que nos encontramos e conseguimos ver um pouco das que se encontram à volta! Aqui temos exactamente o oposto. O Giestoso é sem duvida o melhor local para observação de todo o Parque Nacional,  num dia de boas condições de visibilidade. Foi um verdadeiro clímax a chegada a esta elevação!

14408133_1759831484275879_969739685_o

14393814_1759831554275872_713444991_o

A partir daqui pouco mais havia para ver, começamos a descer o planalto em direção à branda de Portos.

DSCN5774

14285562_1759814110944283_2129407800_o

Continuávamos sem trilho definido e as nossas pernas já não estavam a gostar muito da brincadeira.

DSCN5781

Foi por isso um motivo de grande alegria quando finalmente voltamos a um caminho empedrado e a um trilho bem definido, mas mesmo aí tivemos, mais uma vez, a “surpresa” de encontrar uma nova cerca de arame farpado.

DSCN5782

Na branda de Portos, encontramos uma aldeia praticamente fantasma. Apenas encontramos uma senhora, com quem trocamos algumas palavras e que nos confidenciou que a branda estava praticamente deserta, a maioria há muito partira em direcção às cidades e ao estrangeiro. Continuamos a seguir o trilho e após atravessar, novamente zonas de densa vegetação, alcançamos a aldeia de Eiras, onde podemos finalmente abastecer de água!

DSCN5787

Faltava já pouco para o regresso ao ponto de partida. Voltamos à companhia do PR9 – trilho castrejo, que nos levou até a ponte de Varziela e daí até à estrada que inicialmente havíamos seguido. Sem darmos bem conta disso, estávamos de regresso ao Centro de Castro Laboreiro. Mais uma aventura, mais uma serra explorada, mais um cume, mais uma jornada de partilha, mais um amigo a participar nestas aventuras. É fabuloso viver a Montanha desta maneira! Venham os próximos cumes!

Track GPS Wikiloc

Registo fotográfico Flickr

Anúncios

Anillo Vindio – 2ºDia por Diogo Almeida

Terminei o 1º dia com uma sensação de êxtase… Há bastante tempo que não me sentia tão embrenhado na Montanha, há muito que não me sentia tão deslumbrado com tudo aquilo que ia vendo, vivendo e sentindo. Acordamos bem cedo, às 7am já estávamos a tomar o pequeno almoço. Queríamos começar o quanto antes, pois as indicações que dispúnhamos para a 1ªparte do 2ºdia eram no mínimo assustadoras! 8 a 10 horas eram as previsões que recebíamos dos companheiros de refúgio e do guarda do mesmo. 8 a 10 horas para fazer pouco mais de 16k que separavam o refúgio de Vegarredonda do refúgio de Vegabaño. Demasiado tempo para o que estou habituado, mas o respeito pela montanha e por este lugar único, davam boas indicações para aquilo que iria ser um dia grandioso. Continue reading “Anillo Vindio – 2ºDia por Diogo Almeida”

Anillo Vindio – 1ºDia por Natália Amoedo

Quando se decidiu a viagem até ao picos, o plano original era a subida a Torrecereado, o ponto mais alto dos picos da Europa. No entanto, o augúrio de mau tempo e a falta de boleia do nosso guia nos últimos dias, alterou os planos.

Hipóteses, havia várias, pois o parque oferece inúmeras rotas. Optamos pela rota do Anillo Vindio, pois era uma rota que incluía pontos turísticos principais, daria uma ideia de como seriam os picos e nos prepararia para uma futura rota mais abrangente. Assim preparamos toda a logística para fazer a rota em 2 dias, procedendo à reserva antecipada do refugio onde iríamos pernoitar. Saímos cedo de casa rumo a Posada Valdeon, pois ainda teríamos pela frente uma longa viagem, tendo decidido fazer uma curta paragem em Las Médulas, para esticar as pernas, almoçar e conhecer uma região que é património da Unesco. Continue reading “Anillo Vindio – 1ºDia por Natália Amoedo”

Lombada Grande – 12 Cumes 12 Meses

“Expect nothing and appreciate everything – Não esperes nada e aprecia tudo”

Não sei bem porquê, mas dei com esta frase recentemente e tenho-a tentado colocar em prática nas aventuras que vamos fazendo. E a verdade é que me tenho surpreendido e apreciado muito.

Não ia à espera de nada de extraordinário nesta visita ao Parque Natural de Montesinho. Talvez por não conhecer praticamente nada da região, ou por não ter conseguido recolher grande informação. Talvez porque poucos exploram esta zona, talvez porque não fosse correr mas sim simplesmente caminhar… Continue reading “Lombada Grande – 12 Cumes 12 Meses”

O fim da linha… Tua

Como em muitos momentos das nossas vidas, fazemos muitos planos e muitos projectos, mas por algum motivo, alguns acabam por ficar sempre para trás! A visita ao Tua foi um desses planos, que fruto de muitas outras coisas foi sendo sempre adiado.

Não me sinto esclarecido minimamente, para falar sobre a justiça do projecto da barragem. Mas a verdade é uma, todo o vale ficará irremediavelmente diferente. Algo muito característico deste vale, o som do rio, o som dos rápidos, o som da corrente não será mais o mesmo. Cerca de 400 hectares de olival, montado e vinhas, bem como habitats protegidos já começaram a desaparecer, numa espécie de lenta agonia enquanto o nível da albufeira vai subindo. Foi precisamente isso que senti este sábado, enquanto percorria finalmente a linha. A morte do vale tal como o conhecíamos é por demais evidente. Tudo à nossa volta nos anuncia isso. As pontes a serem desmanteladas, os túneis britados, a vegetação que foi removida, a que não foi e que parece também ela saber que o seu fim está próximo. Não é mais possível caminhar a linha, o fim chegou. Continue reading “O fim da linha… Tua”

Cume da Louriça – 12 Cumes 12 Meses

Dizem que voltamos sempre aos sítios onde fomos felizes! São de facto bem fortes as experiências que tenho vivido na Serra Amarela. Sempre que vou para a Montanha sinto-me sempre invadido de uma sensação de grande liberdade. Por algum motivo, sempre que vou à Serra Amarela, esse sentimento é exponencialmente ampliado. Digo sempre que esta serra é um dos locais mais selvagens que conheço. Apesar das marcas visíveis da atividade vezeira, com todos os abrigos que aqui se encontram, tudo parece fazer parte da paisagem e está em grande harmonia com todo o espaço. Aqui podemos correr e caminhar, sem trilhos definidos, não há estradões e mesmo os antigos caminhos lajeados são escassos! Continue reading “Cume da Louriça – 12 Cumes 12 Meses”

Travessia do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses 

Acho que não há nada que nos prepare para aquilo que encontramos na Travessia dos Lençóis Maranhenses. Não há imagem, foto ou vídeo que nos dê um vislumbre do que este sítio realmente é… A majestosidade do local, a beleza inebriante de tudo aquilo que a nossa vista alcança, mas também a miséria e a desolação em que os nativos vivem.É acima de tudo uma experiência profundamente sensorial, humana e cultural pois vivenciamos sempre uma dualidade de sentimentos altamente antagônicos.

O Brasil é um lugar tão vasto, que demoramos mais de 16 horas, para viajar de Paraty, no estado do Rio de Janeiro até Barreirinhas no Maranhão. Como em tudo o que temos vivido desde que aqui chegámos, foi uma aventura! Continue reading “Travessia do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses “

Área de Proteção Ambiental do Cairuçu – Subida a Pedra Jamanta

“Isto é pura Mata Atlântica” foi esta a única descrição que tive desta região de Paraty e da península de Joatinga.

Esta é uma zona famosa pelas suas praias paradisíacas, rios límpidos e cascatas escondidas, a Joatinga possui ainda várias montanhas à beira mar das quais o Cairuçu se destaca por ser a maior de todas. Com cume a 1087m de altitude – Pedra Jamanta.

Localizado entre São Paulo e o Rio de Janeiro, esta é uma região onde diferentes parques e zonas de protecção se interceptam. O Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Parque Estadual da Serra do Mar e a Área de Proteção Ambiental do Cairiçu onde nos encontrávamos. Tudo está densamente florestado, muito diferente de tudo o que já tínhamos vivenciado! Tínhamos acabado de chegar à casa onde ficaríamos alojados, com uma localização e uma vista sobre a praia verdadeiramente soberba, mas como dizia o Alex, o nosso amigo e anfitrião, “o melhor pode ser visto 50m à frente, nas vossas costa”. Continue reading “Área de Proteção Ambiental do Cairuçu – Subida a Pedra Jamanta”

Manifesto de um Corredor Madrugador

Trabalho em Vila Nova de Gaia, vivo em Viana do Castelo, logo gasto diariamente mais de duas horas em Viagem. A paixão por correr levou a sacrifícios e deixei de ter tempo para fazer outras coisas que gostava. Desde aí, dei sempre comigo a desejar que o dia tivesse mais uma ou duas horas, ou a ter a capacidade para treinar antes de rumar a Gaia. (Durante alguns meses consegui fazê-lo um dia por semana, à sexta-feira, pois era o dinamizador de um conhecido treino social.) Mas para quem já se levantava as 6:20, levantar ainda mais cedo foi sempre algo que imaginei para lá do razoável e mesmo do saudável. Até que me vi, numa nova realidade. Continue reading “Manifesto de um Corredor Madrugador”

Cume do Marão – 12 Cumes 12 Meses

Passei alguns dia a reflectir sobre o que haveria de escrever sobre a visita ao Marão. Como eu queria estar aqui a escrever sobre mais uma grande jornada na Montanha, mas tenho de ser sincero, não o foi.

Demorei algum tempo a “desenhar” o percurso que queria fazer no Marão. Queria ao máximo evitar os estradões e os aceiros florestais e tinha para mim o objectivo de trilhar os dois lados desta imponente serra.

Mas mais um vezes o S.Pedro não esteve do nosso lado. Já nos outros cumes temos sido brindados com tempo muito agreste, mas desta vez tivemos, durante toda a aventura, a companhia de um nevoeiro muito cerrado, que nunca nos deixou ver a mais de 5 metros. Saímos da Aldeia de Mafómedes em Baião debaixo de uma fina chuva, mas com uma temperatura agradável. Continue reading “Cume do Marão – 12 Cumes 12 Meses”